Escrito por: Rosamaria de Medeiros Arnt e Paula Pereira Scherre
Criado em: 22 de outubro de 2018
Última modificação: 29 de outubro de 2018

Nosso primeiro contato com o Bem Viver foi no Fórum Social Mundial (FSM 2018), realizado de 13 a 17 de março de 2018, na Universidade Federal da Bahia (UFBA), em Salvador/BA, cujo tema foi “Resistir é Criar, Resistir é Transformar”. No FSM 2018, encontramos a carta de princípios, na qual consta que este é:

um espaço aberto de encontro para o aprofundamento da reflexão, o debate democrático de idéias, a formulação de propostas, a troca livre de experiências e a articulação para ações eficazes, de entidades e movimentos da sociedade civil que se opõem ao neoliberalismo e ao domínio do mundo pelo capital e por qualquer forma de imperialismo, e estão empenhadas na construção de uma sociedade planetária orientada a uma relação fecunda entre os seres humanos e destes com a Terra.

No dia 14 de março, assistimos à mesa de convergências “Novos Paradigmas para a sociedade do Bem Viver”, integrante da tenda “Novos Paradigmas”, onde ouvimos pessoas comentando sobre as ideias relacionadas ao Bem Viver. Isso nos gerou interesse, repercutiu internamente em nossa indignação frente à “crise de humanidade” em que vivemos. Esta expressão, cunhada por Edgar Morin (2011; 2013), nos remete à convivência cotidiana com a enorme desigualdade social, com os povos vivendo como refugiados, com pessoas que se lançam ao mar tentando escapar da guerra e da destruição de seus territórios, com a indiferença aos que andam pelas ruas, sem perspectiva de uma vida digna. De repente, é como se entrássemos em contato com um grito que se mantém contido e que encontra, na voz do outro, sua expressão e, também, com uma outra forma de ver, refletir, de criar possibilidades de convivência (quem sabe de soluções…) inspiradas no Bem Viver.

Desde 2012, nós (Paula e Rosamaria) já temos semanalmente nos encontrado para meditar, conversar, compartilhar, estudar e criar juntas. No retorno do FSM 2018, nos sentimos convidadas a refletir sobre as ideias do Bem Viver. Começamos, então, a fazer a leitura da obra O Bem Viver: uma oportunidade para imaginar outros mundos, de Alberto Acosta (2016), capítulo a capítulo, dialogando e meditando sobre o que íamos lendo, buscando articular com nossos projetos. A palavra “resistência” tornou-se catalisadora de desejos, sonhos e vontade de aprofundar nossas ações, abrangendo questões mais amplas. No movimento natural de auto-organização, de sistematização de nossa própria construção teórica e prática e visando ainda a divulgação desta temática, sentimos a necessidade da escrita de textos curtos (verbetes de duas páginas), com linguagem simples e com profundidade e rigor acadêmicos, como maneira de ter clareza de conceitos que são por sua natureza fluidos, coletivamente construídos, com referências que envolvem etnias e modos de vida diversos dos que constituem nossos contextos.

Neste movimento de escrita, iniciado pelo Bem Viver, percebemos também a necessidade de construir outros verbetes, como por exemplo, Ética, e um glossário, para termos que requeriam explicação mais breve. Como esta é uma obra em constante criação, evolução e naturalmente inacabada e aberta, pensamos que estes textos vão sendo modificados ao longo do tempo, ou seja, termos do glossário podem virar verbetes, novos verbetes podem ser criados, novos links e partes podem ser acrescidos em verbetes existentes. Disponibilizá-los em um site faz todo o sentido de ser, é o locus ideal para nosso dicionário, devido à sua plasticidade. Claro que isto não exclui uma versão impressa, devido à sua possibilidade de partilha, de materialidade e de interação, mesmo sabendo que ela será um recorte, um retrato desta obra em construção. Optamos por esta multiplicidade, no exercício de abertura, de criação e recriação.

O convite de parceiros para este “Dicionário” é um desdobramento natural. Cada um, em sua trajetória, terá (tem) proximidade com diferentes temas. Vamos assim ampliando as sementes de uma reflexão conjunta sobre este momento vivido, quando não temos mais certezas, mas reconhecemos na compreensão intersubjetiva, que se dá pela escuta e convivência, uma possibilidade de caminharmos com a segurança possível.

Os verbetes e glossários aqui compartilhados são abertos ao uso e reuso, impressões, traduções e compartilhamentos, desde que preservadas e divulgadas a autoria e a fonte. Desejamos que estas produções sejam úteis para professores em sala de aula e que também sejam inspirações para outras escritas, aprofundamentos, pesquisas e estudos.

Para tanto, informamos que o conteúdo do site, no geral, e do dicionário em específico, estão regidos sob a seguinte licença:

Creative Commons Atribuição-NãoComercial-CompartilhaIgual 4.0 Internacional 
(CREATIVE COMMONS.BR, 2018)


Referências

ACOSTA, Alberto. O Bem Viver: uma oportunidade para imaginar outros mundos. Tradução de Tadeu Breda. São Paulo: Autonomia Literária. Elefante, 2016. 264 p. Disponível em: <https://rosaluxspba.org/wp-content/uploads/2017/06/Bemviver.pdf>. Acesso em: 22 out.2018.

CREATIVE COMMONS.BR. Licenças Creative Commons. 2018. Disponível em: <https://br.creativecommons.org/licencas/>. Acesso em: 22 out.2018.

FÓRUM SOCIAL MUNDIAL. 2018. Página inicial. Disponível em: <https://wsf2018.org/>. Acesso em: 22 out.2018.

MORIN, Edgar. O caminho para o futuro da humanidade. Conferência ao Fronteiras do Pensamento 2011, publicada 1 de fev de 2016. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=V3t7UFTpDHE>. Acesso em: 22 out.2018.

MORIN, Edgar. A crise da Humanidade. Entrevista ao Fronteiras do Pensamento, publicada em 1 de agosto de 2013. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=TS5ytEbpWg8>. Acesso em: 22 out.2018.

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